Apito Final | Cambio e juros expressam incerteza em torno de reação Bolsonaro a reajuste da Petro

Tempo de leitura: 8 minutos

Internacional

  • Ativos internacionais têm dia de recuperação com pacote de gastos americano cada vez mais próximo;
  • Juros futuros cedem em relação à semana passada, mas devem continuar em alta até que novos dados causem reajuste;
  • Agenda internacional destaca IPC europeu e fala de membros do Federal Reserve.

Brasil:

  • Ibovespa tem dia de recuperação, mas dólar e juros operam na contramão, refletindo possível aumento de tensão política com mais um reajuste da gasolina promovido pela Petrobras;
  • Confiança do empresariado do setor industrial seguiu em alta em fevereiro;
  • IPP é destaque da agenda econômica local de amanhã.


FECHAMENTO

Ibovespa: 110.486 (+0,41%) ­­
BR$/US$: 5,63 (+0,58%)
DI Jan/27: 8,07% (+22 bps)
S&P 500: 3.898 (+2,28%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

PRINCIPAIS ALTAS:

PCAR3: R$ 23,28 (+40,26%)
HAPV3: R$ 16,31 (+5,23%)
PRIO3: R$ 87,85 (+5,07%)

PRINCIPAIS BAIXAS:

CIEL3: R$ 3,40 (-5,56%)
YDUQ3: R$ 28,75 (-4,55%)
HYPE3: R$ 31,45 (-4,06%)


Cenário Externo

Estímulos em vista e juros cedendo

Mercados…. Ativos internacionais operaram em forte alta ao longo do dia, influenciados pelo movimento menos brusco dos juros e pela aprovação, na Câmara dos Deputados, do pacote de US$ 1,9 tri prosto pelo presidente Biden. A narrativa de reflation trade, por conta do avanço aparentemente incessante das commodities e manutenção de políticas estimulativas, além do avanço da vacinação, segue viva. Ao longo do dia, setores cíclicos como commodities e industrials lideraram os movimentos de alta. Salve o movimento dos juros futuros, a visão para as bolsas internacionais segue construtiva.

E os juros cedem um pouco… O principal culpado pelo desempenho negativo das bolsas na semana passado cedeu ao longo do dia. O juro do treasury de dez anos encerrou a sexta-feira passada com queda de 11 bps para 1,40%, seguido por um aumento modesto de cerca de 4 bps ao longo da sessão de hoje. Entendemos o reajuste da semana passada e a leve alta de hoje como um movimento que reflete a manutenção de uma expectativa de inflação em alta por conta da aprovação do pacote de US$ 1,9 tri na Câmara americana, mas que foi levemente apaziguada no final da semana passada com um índice de preços (PCE) que desinflacionou e não repercutiu, ainda, o efeito expansionista do pacote de US$ 900 bi aprovado no final do ano passado. Este, como comentando em outra edição do Apito Final serve, por ora, como um barômetro parcial para o efeito inflacionário do atual pacote. Seguimos com o diagnóstico de que os juros futuros devem continuar em alta, sofrendo correções na medida em que se conhece o real comportamento da inflação. 

Setor industrial americano… Ainda que a confiança dentro do setor industrial americano tenha caído em fevereiro ao ir de 59,2 para 58,6, o seu PMI segue em patamar altíssimo, indicando robusta expansão da atividade. De acordo com os produtores pesquisados, registrou-se forte expansão dos novos pedidos e da produção. A demanda interna segue, por conta do avanço da campanha de vacinação e expectativa por mais estímulos, aquecida, e continua fomentando pressão sobre a oferta, gerando uma alta de custos que foram parcialmente repassados aos consumidores. O emprego também melhorou em linha com a visão mais otimista com a economia, que registrou a maior alta em três meses.  

No radar… Amanhã a Eurostat divulga o IPC europeu assim como seu núcleo. Os preços devem ter variação interanual de 0,90% (projeção mediana da Bloomberg), valor ainda muito distante da meta de 2,00% perseguida pelo BCE. Além disso, discursam, ao longo do dia, Brainard, diretora do Fed, às 15h, e Daly, chefe do Fed de San Francisco, às 16h. 


BRASIL:

Cambio e juros expressam incerteza em torno de reação Bolsonaro a reajuste da Petro

Mercados… Ativos de risco domésticos operaram com movimentos distintos, refletindo fatores de pressão diferentes. Enquanto o índice Bovespa, auxiliado pelo movimento positivo das empresas relacionadas às commodities e mais um dado de atividade positivo, se recuperou da pesada queda na semana, o dólar e os juros demonstraram enorme resistência à queda. Câmbio e juros, mais sensíveis aos temas políticos, expressaram o possível aumento de tensão política com mais um reajuste de preços promovido pela Petrobras. O CDS de cinco anos, métrica de risco-país, caiu, mas segue em patamar bastante elevado.

Confiança no setor industrial brasileiro… O PMI do setor industrial brasileiro registrou nova alta em fevereiro, indo para 58,4 ante 56,5 em janeiro e ficando muito acima do limiar de 50, limiar que separa leituras de expansão ou retração da atividade. No mês, o setor registrou alta da produção puxada pelo avanço nos novos pedidos. Houve, também, um aumento no emprego que acompanhou o avanço da demanda. Os bens de consumo cederam, mas os de capital registraram aceleração na produção. As exportações, por conta da retomada da demanda global, seguiram em alta, embora a uma taxa mais modesta. Segue presente, no entanto, um descasamento entre oferta e demanda no mercado de insumos que está continuamente pressionado os custos dos produtores. Ainda assim, os produtores se mostraram bastante otimistas com o ano que segue.

Petrobras promove novo reajuste da gasolina… Em meio ao imbróglio político envolvendo Bolsonaro e Castello Branco, a Petrobras promoveu hoje mais um reajuste (4,8% da gasolina e 5,0% do diesel) no preço dos combustíveis. A mudança é a quinta do ano e é proporcionada pela política de preços da estatal, definida em estatuto, e que acompanha a variação do preço internacional do barril de petróleo e a cotação da taxa cambial. No ano, a gasolina e o diesel acumulam alta de, respectivamente, 41,6% e 33,9%. O gás de cozinha, outro importante produto de interesse direto ao consumidor, subiu 5,2% com o reajuste, e acumula alta de 17,1% no ano.

A percepção de risco e a taxa de câmbio… A enorme resistência à queda observada hoje na taxa de câmbio deve-se, em boa parte, a este acontecimento. Claro, não foi o reajuste em si que a causou; afinal, a Petrobras está apenas seguindo a regulamentação da política de preços da companhia, que respeita a Paridade com Preços Internacionais (PPI). O que se teme, e o que a taxa de câmbio está refletindo, é justamente a reação, ainda não conhecida, do PR perante esta ocorrência. No final da semana passada em claro aceno aos caminhoneiros, Bolsonaro anunciou que as mudanças promovidas na petroleira iriam “surpreender positivamente quem depende do produto”. Comentou também, na segunda-feira após exoneração de Castello Branco, que não irá interferir na política de preços da empresa.

A percepção de risco e a taxa de câmbio (2)… A natureza conflitante observada nos comentários do presidente Bolsonaro são um marco de seu comportamento. Para além dos comentários, vale observar que o próprio envio da MP que cria o terreno para privatização da Eletrobras, logo após a demissão de Castello Branco, ressuscitou ainda mais esta característica paradoxal inerente à figura política de Bolsonaro.  A natureza paradoxal de Bolsonaro sustenta, obviamente, um elevado nível de imprevisibilidade quanto ao andamento de uma política econômica fiscalista, explicando por que a taxa de câmbio se mantém em nível excessivamente desmoderado mesmo em meio a uma melhora dos termos de troca da economia.

No radar… Amanhã o IBGE divulga o índice de preços ao produtor (IPP) na indústria de transformação, que deve registrar alta de 0,36% (projeção mediana coletada pela Bloomberg), levando a variação internacional do índice para 18,18%. O IPP segue pressionado por um excesso de demanda no mercado de insumos e pela sustentação de uma elevada cotação da taxa de câmbio.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

 
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